A chuva de meteoros Líridas 2017 tem seu pico hoje
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A chuva de meteoros Líridas 2017 tem seu pico hoje

O pico da chuva de meteoros Líridas é esperado na noite de 21 para 22 de abril, infelizmente com o brilho da Lua quase cheia. Mas assim que o céu estiver completamente escuro podemos procurar a constelação da Lira através da sua brilhante estrela Vega e esperar que os meteoros rasguem o céu com brilho.

Abril é o Mês Mundial da Astronomia, e não poderia faltar uma chuva de meteoros, mesmo que com um número baixo de meteoros: as Líridas. Mas nem por isso deixam de merecer alguma atenção já que, apesar de a sua taxa horária ser de apenas 10 a 20 meteoros, as Líridas são geralmente uma “chuva” com meteoros de grande dimensão. Talvez seja possível vislumbrar um gigantesco meteoro rasgando os céus, uma vez que as Líridas deixam rastos luminosos e são normalmente bastante brilhantes.

Todos os anos, entre os dias 16 e 25 de abril, acontece a chuva de meteoros Líridas, mas é nos dias 21 e 22 de abril que ocorre seu pico, ou seja, o momento em que a maior quantidade de meteoros poderá ser observada riscando o céu!

A chuva de meteoros Líridas (ou Lirideas) acontece quando a Terra passa pelos rastros de detritos deixados pelo cometa Thatcher C/1861 G1. Sempre, nessa mesma época do ano, o nosso planeta passa justamente na esteira de poeiras desse antigo cometa, atraindo os pequenos fragmentos que penetram em nossa atmosfera, criando as magníficas “estrelas cadentes”, como são popularmente conhecidos os meteoros.

Esta “chuva de meteoros” tem o nome de Líridas, por acontecer perto da constelação de Lira. A órbita da Terra passará perto da zona de detritos deixados do cometa Thatcher (C/1861 G1) que serão “puxados” pela força gravitacional do nosso planeta, brilhando ao entrar na nossa atmosfera.

Infelizmente a Lua irá brilhar demais na noite do pico das Líridas. Mas, se está à caça, observe a chuva a partir das 04 da manhã, já que a esta hora a Lua já se retirou e poderá ver assim mais meteoros.

As Líridas são famosas por alguns surtos inesperados (como foi testemunhado na Florida e no Colorado, em 1982), podendo algumas vezes atingir uma taxa de 100 meteoros por hora. Mas estas manifestações são raras e difíceis de prever, podendo acontecer este ano, como no ano seguinte ou apenas daqui a 10 anos. Mas é esta imprevisibilidade que torna as Líridas uma boa razão para estar atento ao céu noturno.

Não é necessário um telescópio para observar uma “chuva de estrelas”, mas é importante um céu escuro. Assim, para observar o bonito espetáculo de uma chuva de meteoros, desloque-se para uma zona com pouco poluição luminosa. Não se esqueça de levar roupa quente,  pois as noites podem ser muito frias.

Liridas 2017

Como observar a chuva de meteoros Líridas 2017?

Seja pra observar essa ou qualquer outra chuva de meteoros, a regra é a mesma: buscar um lugar com o mínimo de poluição luminosa possível, longe de luzes que podem atrapalhar a nossa observação.

O radiante (região do céu onde os meteoros parecem se originar) da chuva Líridas encontra-se ao lado da constelação de Lira, o que justifica o nome da chuva. Pouco antes do amanhecer, por volta das 04h00 da madrugada, olhe para a direção norte do céu, e encontre a estrela Vega (como mostra a imagem abaixo):

Radiante da chuva de meteoros Líridas
Radiante da chuva de meteoros Líridas. Neste momento, por volta das 04h00 da madrugada,
a Lua já terá nascido e estará à direita, o que pode ofuscar o brilho dos meteoros mais fracos.
Créditos: STELLARIUM         /         Edição: Galeria do Meteorito

Quanto mais ao norte do Brasil você estiver, melhor será sua observação da chuva Líridas. Em São Paulo, ou no Rio de Janeiro, por exemplo, seu radiante se encontra muito próximo do horizonte, o que dificulta um pouco sua observação.

Nenhum equipamento é necessário, já que os meteoros riscam uma grande extensão do céu em questão de instantes. Telescópios ou binóculos irão apenas atrapalhar a observação dos meteoros.

O pico da chuva de meteoros Líridas costuma gerar cerca de 15 meteoros por hora, sendo que esse número pode chegar a 100 meteoros por hora em alguns anos, porém, se você estiver observando essa (ou qualquer outra chuva de meteoros) em uma cidade grande, com bastante poluição luminosa, as condições de observação serão muito ruins, e apenas meteoros muito brilhantes (como os bólidos/bolas de fogo) é que poderão ser vistos.

 

Chuva de meteoros Liridas registrada pela NASA
Chuva de meteoros Líridas registrada pela NASA.
Créditos: NASA / MSFC / D. Moser

Um pouco mais sobre a chuva de meteoros Líridas

Uma das razões que faz a chuva de meteoros Líridas ser uma das mais famosas é o fato dela nos surpreender de tempos em tempos, criando grandes “outbursts” – um grande aumento abrupto na quantidade de meteoros. Sempre existe a possibilidade de sua taxa nos surpreender, e a cada 60 anos aproximadamente, ela dá um verdadeiro show, como relatado na Grécia em 1922, no Japão em 1945 e nas Américas em 1982. Em 1803, a chuva Líridas produziu cerca de 700 meteoros por hora, o que também aconteceu em 687 a.C.

Confúcio - pintor Wu Daozi entre 685-758
Pintura de Confúcio, feita por
Wu Daozi entre 685 e 758.
Créditos: Wikimedia Commons / Wu Daozi

A chuva de meteoro Líridas é uma das mais antigas chuva de meteoros relatadas em documentos antigos, sendo que alguns datam cerca de 2.700 anos atrás.

A China antiga já observava a chuva Líridas em 687 a.C., e a descrevia como algo que “caia como chuva”. A data desses documentos antigos coincidem com o Período das Primaveras e Outonos, entre 771 e 476 a.C, que é associado ao renomado pensador chinês Confúcio, conhecido popularmente pelo seu ditado: “Não faças aos outros o que não queres que façam a ti”. Será que o grande professor e filósofo Confúcio observou a histórica chuva de meteoros Líridas? Considerano os céus limpos daquela época, provavelmente sim…

O desconhecido cometa Thatcher…

Como foi dito anteriormente, o cometa Thatcher (C/1861 G1) é o responsável pela chuva Líridas, que ocorre sempre nessa mesma época do ano, quando a Terra passa pelos rastros deixados durante sua passagem pelas redondezas. Mas por conta de sua órbita de 415 anos (período que ele leva para completar uma volta ao redor do Sol), não temos nenhuma fotografia desse incrível cometa.

A última vez que ele passou pelo Sistema Solar interior, em 1861, o processo e os equipamentos fotográficos ainda não haviam sido espalhados pelo mundo, e a tecnologia da época era bastante precária se comparada com a atual. Mas não se preocupe, pois na próxima vez que o cometa Thatcher passar por aqui, nós iremos fotografá-lo incansavelmente. A parte chata da história é que a nossa geração não estará mais aqui na Terra, afinal, o cometa Thatcher só passará por aqui novamente em 2276…

Fontes: Galileu/ (capa-divulgação) / STELLARIUM / Galeria do Meteorito / NASA / MSFC / D. Moser / Wikimedia Commons / Wu Daozi / divulgação

 

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