Após 100 anos de extinção, nasce o primeiro filhote de anta de vida livre no Rio de Janeiro
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Após 100 anos de extinção, nasce o primeiro filhote de anta de vida livre no Rio de Janeiro

O bebê “desfilou” diante das armadilhas fotográficas; animais foram reintroduzidos no local em 2017.

Depois de um centenário de extinção das antas no estado do Rio de Janeiro, o trabalho de pesquisadores do Projeto Refauna na Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA) deu frutos, ou melhor, filhos. O primeiro filhote de uma população de antas reintroduzida na natureza foi flagrado pelas armadilhas fotográficas da reserva, que fica localizada na cidade de Cachoeiras de Macacu (RJ).

Com o corpo todo estriado, característica da camuflagem dos “bebês”, o filhote desfila pelas lentes da câmera escondida. De acordo com Maron Galliez, professor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e coordenador Projeto Refauna, o pequeno deve ter nascido no início de janeiro e ainda não é possível saber o sexo.

O pesquisador começou a trabalhar com as antas em 2012, mesmo ano em que o projeto de reintrodução da espécie no estado foi idealizado. Atualmente, dez delas já foram devolvidas à natureza. “O sucesso, a curto prazo, de um projeto de reintrodução é medido pelo estabelecimento do animal na área, sobrevivência e reprodução. O nascimento desse filhote é um demonstrativo de sucesso do projeto!”, vibra.

Desde o meio de 2019, os especialistas desconfiavam que as fêmeas estavam grávidas. “Mas a gestação dura 13 meses e não sabíamos quando ia nascer. No final de janeiro, encontramos as pegadas do filhote”, relembra o pesquisador.

Extinta no estado do Rio de Janeiro há mais de 100 anos por conta da caça e do desmatamento, as antas começaram a ser reintroduzidas na Reserva Ecológica Guapiaçu (REGUA) no final do ano de 2017, quando três delas foram transportadas para o local.

Depois de reintroduzidas as antas são monitoradas por telemetria (um colar que emite sinal de rádio e satélite) e por armadilhas fotográficas, como a que registrou o vídeo do filhote. “Em paralelo, realizamos os estudos sobre o restabelecimento das interações ecológicas”, descreve Maron Galliez.

Esse tipo de análise é importante, já que as antas são consideradas jardineiras das florestas, dispersando as sementes que consomem, podando ramos e folhas e controlando as espécies mais abundantes.

Os pesquisadores esperam que uma segunda fêmea também deva estar grávida e possa ter o filhote em breve. O pequeno que foi filmado será monitorado pelas armadilhas fotográficas até atingir seis meses, quando será capturado pelos pesquisadores para realização de exames.

A anta
É originária de uma família que surgiu no mundo há quase 50 milhões de anos
É considerada o maior mamífero terrestre brasileiro
Ajuda na preservação das matas através da dispersão de sementes
Tem até um dia internacional, comemorado em 27 de abril
Já se tornou mascote em pousada no Sul do Pará
Se refugia também em uma cidade brasileira considerada “cidade das antas”

 

 

 

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