Astrônomos acidentalmente tiraram uma foto de um possível exoplaneta bebê
loading...

Astrônomos acidentalmente tiraram uma foto de um possível exoplaneta bebê

Uma equipe internacional de astrônomos liderada pela Universidade de Leiden (Holanda) fotografou acidentalmente o que eles pensam ser um exoplaneta em processo de crescimento, a 600 anos-luz de distância.

A ideia inicial dos pesquisadores era fotografar um sistema estelar chamado CS Cha, localizado em uma região formadora de estrelas na Constelação Camaleão.

As estrelas do sistema são do tipo T Tauri, ou seja, estrelas muito jovens, com apenas 2 a 3 milhões de anos, a idade perfeita para ser cercada por um disco protoplanetário de poeira e gás, no processo de formação de planetas.

Era exatamente esse disco que a equipe esperava encontrar enquanto estudava CS Cha usando o Very Large Telescope (Telescópio Muito Grande ou VLT) no Chile, em fevereiro de 2017. No entanto, receberam muito mais do que pediram.

A surpresa

A CS Cha é um sistema binário de duas estrelas. O sistema tem o que é conhecido como “disco circumbinário” em volta de ambas.

Enquanto olhavam as imagens, no entanto, os astrônomos notaram um pequeno ponto de luz fora desse disco. Estranhando, eles compararam a foto com imagens do mesmo sistema tiradas pelo VLT 11 anos atrás e com imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble 19 anos atrás.

O ponto estava lá, em todas elas. Então, não era uma falha nem uma anomalia transitória. E estava se movendo com CS Cha – é definitivamente um companheiro para a estrela binária.

Os pesquisadores, abismados, ainda não podem dizer com certeza o que esse ponto é. As opções são relativamente limitadas, entretanto, uma vez que é um objeto visível orbitando um sistema estelar.

Anã marrom ou exoplaneta bebê?

A equipe tentou realizar uma análise espectroscópica para tentar descobrir do que se tratava o “ponto”, mas se deparou com um obstáculo: a luz do objeto é altamente polarizada. Isso geralmente ocorre quando a luz é espalhada por algo no seu caminho.

“Nós suspeitamos que o companheiro [do sistema binário] está cercado por seu próprio disco de poeira. A parte complicada é que o disco bloqueia uma grande parte da luz e é por isso que dificilmente podemos determinar sua massa. Então pode ser um anã marrom, mas também um Super-Júpiter em formação”, explicou o astrônomo Christian Ginski, da Universidade de Leiden, principal autor do novo estudo.

Uma anã marrom é um tipo de estrela “falhada” de massa muito baixa. Isso significa que ela é muito pequena para sustentar a fusão de hidrogênio, mas grande e quente demais para ser classificada como um planeta gasoso.

Ou então o ponto com seu próprio disco poderia ser um gigante de gás que ainda está crescendo, um tipo de planeta chamado de “Super-Júpiter”, por sua semelhança com o nosso vizinho galáctico, embora com massa muito maior.

Achado

Se realmente for uma dessas duas coisas, não importa qual, a descoberta será extraordinária.

A maioria dos exoplanetas está muito longe para ser fotografada diretamente. Podemos apenas inferir sua presença com base na maneira como mudam a luz de sua estrela hospedeira. A lista de exoplanetas observados diretamente é incrivelmente curta.

Não é tão diferente para anãs marrons: a primeira observação direta de uma possível anã marrom foi anunciada apenas em 2009. Além disso, anãs marrons companheiras de estrelas parecidas com nosso sol são extremamente raras – quem dirá uma com o seu próprio disco.

Próximos passos

A equipe está trabalhando para descobrir exatamente que tipo de objeto aparece na foto, usando o Atacama Large Millimeter/submillimetre Array (o observatório astronômico ALMA) no Chile.

“O sistema CS Cha é o único no qual um disco circumplanetário está provavelmente presente, assim como um disco circunstelar. É também, até onde sabemos, o primeiro disco circumplanetário detectado diretamente em torno de um companheiro subestelar com luz polarizada, restringindo sua geometria”, escreveram os pesquisadores em seu artigo, aceito para publicação na revista Astronomy & Astrophysics.

Depois que for bem estudado, o sistema pode ser considerado uma referência para cenários de formação de planetas e anãs marrons. [ScienceAlert]

Você também deve apreciar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *