Bólidos e meteoros esporádicos - veja quando eles são mais comuns e quantos riscam os céus a cada noite
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Bólidos e meteoros esporádicos – veja quando eles são mais comuns e quantos riscam os céus a cada noite

meteoros esporádicos

Saiba tudo sobre as \’estrelas cadentes\’ que riscam os céus todas as noites

Se você ama observar o céu noturno, provavelmente já passou pela experiência de observar muitos meteoros numa noite em que não havia nenhum pico de chuva de meteoros. Sim, isso não só é possível como acontece diariamente, e dependendo das condições climáticas, podemos ter uma linda experiência avistando “estrelas cadentes” que riscam os céus em várias direções aleatórias – esses são os famosos meteoros esporádicos.

Antes de mais nada, vale ressaltar que o termo estrela cadente não é o correto nem mesmo o utilizado no meio científico. Erroneamente, no passado, as civilizações acreditavam que os meteoros eram estrelas que se desprendiam de uma “abóboda fixa”, daí a origem do nome estrela cadente. Na verdade, os meteoros são produzidos por pequenos fragmentos espaciais que entram na atmosfera da Terra, gerando o tão amado brilho que risca os céus em todo o globo.

Mas voltando aos meteoros esporádicos, eles são comuns e ocorrem todas as noites, e não têm origem em nenhuma chuva de meteoros – são apenas fragmentos espaciais aleatórios.

Quantos meteoro esporádicos podemos ver a cada noite?

De acordo com a Sociedade Americana de Meteoros (AMS), um observador qualquer poderá ver cerca de 10 meteoro a cada hora numa noite qualquer. Mas essa é apenas uma média, e esse valor sofre alterações ao longo do ano: no início do outono do hemisfério sul (março), temos cerca de 6 meteoros por hora (ou 1 a cada 10 minutos); já no início da primavera do hemisfério sul (setembro), podemos ver cerca de 12 meteoros por hora (ou 1 a cada 5 minutos).

Pra ter essa experiência, temos que contar com um céu limpo, sem nuvens, e o mais livre de poluição luminosa possível.

Meteoro esporádico em Utah, nos EUA - NASA - Bill Dunford
Meteoro esporádico registrado em Utah, nos EUA, em 15 de agosto de 2016.
Créditos: NASA / Bill Dunford

Além disso, a quantidade de meteoros que podem ser vistos também varia ao longo da noite, por conta do movimento de rotação e translação da Terra. Pra entender isso é fácil: imagine um navio gigante em movimento. Antes da meia-noite, estamos na parte traseira desse navio, portanto é mais difícil de colidirmos com algum objeto que esteja na água. Porém, após a meia-noite, é como se estivéssemos na parte dianteira desse navio, fazendo com que pequenas colisões com diversos tipos de fragmentos se tornem mais comuns.

Por isso é muito mais comum avistarmos meteoros após a meia-noite, sobretudo antes do amanhecer.

Mas apesar dos meteoros esporádicos serem mais comuns por volta do mês de agosto, setembro e outubro, os grandes meteoros esporádicos chamados bólidos, ou bolas de fogo, são mais frequentes no início do outono do hemisfério sul, por volta do mês de março.

Confira esses exemplos de meteoros esporádicos registrados pela estação de monitoramento de meteoros do site Galeria do Meteorito, ligado ao Exoss Citizen Science:Esse outro exemplo que vemos abaixo foi um bólido fotografado por Monika Landy-Gyebnar, em Vesxprem, na Hungria, no dia 8 de abril de 2018. “Eu estava lá fora fotografando o pôr do Sol, e esperando pela passagem da Estação Espacial Internacional (ISS)”, disse Monika. “A bola de fogo então surgiu. A flor que aparece na imagem é uma Pulsatilla local (Pulsatilla nigricans) que eu queria incluir em minha composição.”

Bólido registrado por Monika Landy-Gyebnar, na Hungria
Bólido registrado por Monika Landy-Gyebnar, na Hungria.
Esse meteoro tinha magnitude aparente de -10 – cerca de 100 vezes ais brilhante do que o planeta Vênus.
Créditos: Monika Landy-Gyebnar

“Bolas de fogo esporádicas parecem ser de 10% a 30% mais comuns em meados de março comparado com outras épocas do ano, e ninguém sabe o motivo”, afirma Bill Cooke, do Escritório de Ambiente de Meteoroides da NASA (Meteoroid Environment Office). “Nós estamos cientes desse fenômeno a mais de 30 anos, e não são apenas os meteoros que se tornam mais comuns nessa época do ano, como também as quedas de meteoritos. Talvez exista uma nuvem difusa de meteoroides que a Terra atinge em meados de março, originando esse número maior de bólidos, mas se isso for verdade, sua origem é desconhecida.”

Então fiquem ligados: não é apenas nos picos de chuvas de meteoros que podemos apreciar as “estrelas cadentes” – elas riscam os céus todas as noites, a todo momento! Basta ter paciência e claro, um céu noturno escuro, sem nuvens. O show está sempre garantido!

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