Pureza racial “não tem sentido científico” afirmam 8 mil geneticistas
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Pureza racial “não tem sentido científico” afirmam 8 mil geneticistas

Os 8 mil membros da Sociedade Americana de Genética Humana (ASHG) assinaram uma carta de alerta e protesto contra o uso distorcido de dados científicos por grupos racistas que defendem que caucasianos são mais evoluídos que outros grupos étnicos.

“A Sociedade Americana de Genética Humana esta alarmada ao ver um ressurgimento de grupos sociais que rejeitam os valores da diversidade genética e usando ou distorcendo conceitos genéticos para alavancar argumentos incorretos da supremacia branca. A ASHG denuncia este uso incorreto da genética para alimentar ideologias racistas”, diz a abertura da carta publicada no site da sociedade.

Décadas de estudos confirmam que os humanos não podem ser divididos em subcategorias biológicas. A classificação de pessoas em diferentes grupos étnicos acontece com base em diferentes genomas e na identidade dos grupos.

“Há considerável sobreposição genética entre membros de diferentes populações. Esses padrões de variação do genoma são explicados por padrões de migração e mistura de diferentes populações através da história humana”, explica a carta. Portanto, o conceito de “pureza racial” não tem nenhum sentido científico.

Não existe nenhum dado genético que aponte a superioridade de um grupo sobre outros. Apesar de a genética das pessoas influenciar suas características fenotípicas, as diferentes “raças humanas” são construção social. “Qualquer tentativa de usar a genética para fazer um ranking das populações demonstra uma má compreensão fundamental sobre a genética”.

Racismo e o leite

Uma ideia muito distorcida de grupos racistas é de que apenas os caucasianos conseguem beber leite de vaca sem desconforto digestivo depois da infância. Eles acreditam que a habilidade de digerir a lactose na fase adulta é uma característica deste grupo étnico.

Eles distorcem as pesquisas genéticas para concluir que é uma característica exclusiva dos caucasianos beber e digerir o leite. Isso levou a eventos muito esquisitos em que supremacistas brancos engolem galões de leite inteiros.

O que a genética diz sobre isso, na verdade, é que 35% da população mundial consegue digerir a lactose. Esta não é uma habilidade exclusiva de um grupo étnico.

Hierarquia racial

Outras apropriações incorretas da genética para apoiar ideias racistas é a de que há “hierarquias raciais naturais”. É justamente este pensamento que justificou a escravidão nas Américas e a “limpeza racial” dos nazistas.

Para continuar destruindo essas ideias distorcidas, a sociedade de geneticistas incentiva que os cientistas sejam mais ativos politicamente e ajudem a combater a ignorância. [New York Times, AJHG, Big Think]

 

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