Somos uma coisa só
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Somos uma coisa só

Tantos relatos parecidos, não é nem mesmo necessário qualquer substância para sentir, mas muitas exageram este sentimento. Somos uma coisa só, essa sensação é compartilhada por muitos, por isso tantos xamans dizem q entraram em contato com Deus, Para mim que já pude ser considerado 100% ateu, foi um choque sentir isso como uma certeza… Muitos avaliam como contato divino, só uma questao de referência. Vejo como Natureza, é o q penso, mas tanto faz.

Me refiro a um sentimento de unicidade absoluta com todo o Universo em infinita sincronia. Cada átomo parece estar linkado eternamente a todos os outros quando experimentamos esta sensação. Nesta experiência ao fechar os olhos vemos todo o Universo.

Para os que querem se aventurar mais nos limites da percepção e consciência recomendo um livro excelente muito conhecido:

As Portas da Percepção 

É um livro de 1954, escrito por Aldous Huxley, onde o autor pormenoriza as suas experiências alucinatórias quando tomou mescalina. O título provém de uma citação de William Blake:

“ If the doors of perception were cleansed everything would appear to man as it is, infinite.
Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito. ”

Baseado nesta citação, Huxley assume que o cérebro humano filtra a realidade de modo a não permitir a passagem de todas as impressões e imagens que existem efetivamente. Se isso acontecesse, o processamento de tal quantidade de informação seria simplesmente insuportável. De acordo com esta visão das coisas, algumas drogas poderiam reduzir esse processo de filtragem, ou “abrir as portas da percepção”, como é dito metaforicamente. Com o intuito de verificar esta teoria, Huxley começou a tomar mescalina e a descrever os seus pensamentos e sentimentos sob o efeito da droga. A sua principal impressão será a de que os objetos do nosso quotidiano perdem a sua funcionalidade, passando a existir “por si mesmos”. O espaço e as dimensões tornam-se irrelevantes, parecendo que a percepção se alarga de uma forma espantosa e mesmo humilhante já que o ser humano se apercebe da sua incapacidade para fazer face a tantas impressões.

Huxley explica que uma das razões porque as portas da percepção normalmente ficam semi-cerradas seria para a própria proteção do indivíduo, que de outra forma se distrairia com a enxurrada de estímulos desnecessários para a sobrevivência.

A teoria exposta no livro tem uma base teórica profundamente inspirada nas teorias do psiquiatra Carl Gustav Jung. O Inconsciente coletivo, os Arquétipos e noção de que a teologia e o psicodelismo se aproximam são ideias Junguianas e aparecem no livro do início ao fim.

As Portas da Percepção serviu de inspiração para o nome da banda The Doors, uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos.

A Erva do Diabo

Outra Leitura incrível, A Erva do Diabo de Castaneda

O livro relata os primeiros encontros com Don Juan Matus, um índio de Sonora, que veio a ser o seu mestre no que era denominado pelo índio de “Caminho do Conhecimento”. Relata também o quanto foi difícil para ele, um representante da sociedade americana, compreender os valores de Don Juan, que se comportava de acordo com a cultura milenar dos chamados “Videntes” da América Central.

Por parte de Carlos Castaneda, a assimilação dos conhecimentos dos índios e particularmente de seu personagem – informante, Don Juan Matus, tinha por objetivo a realização de um estudo antropológico para sua tese de mestrado, sobre a cultura indígena da América Central, com o fim de publicar livros e outros trabalhos acadêmicos. O paradigma de Carlos Castaneda naquela época, sobre o mundo e a vida em geral, era o da grande maioria dos cidadãos ocidentais mais instruídos, isto é, o uso do referencial científico para explicar a realidade.

O índio Don Juan tinha o objetivo de provocar uma quebra no padrão cognitivo habitual de Castaneda e levá-lo a vislumbrar a existência de outros padrões da realidade. A capacidade de vislumbrar outros padrões da realidade é um dos principais objetivos dos Videntes ou “homens de conhecimento”, como designados no livro..

Os eventos que chamam a atenção da maioria dos leitores – mas não o objetivo principal do livro – são os relatos de Castaneda sobre os rituais dos pueblos de Sonora do México, nos quais utilizavam alucinógenos preparados a partir de plantas em suas formas originais, maceradas, ou mesmo in natura como mastigação de botões de cactos. Essas plantas têm marcantes propriedades psicoativas de expansão da percepção habitual, e por isso os índios as chamam de “Plantas de Poder”. Observe-se que os descendentes dos Yaquis, segundo pesquisa do referido documentário da BBC, 2006 não utilizam o cacto peiote em seus rituais, mas é comum entre xamãs o contato intertribal e assimilação de práticas de outros grupos inclusive, como se sabe, da cultura dos colonizadores.

Sobre a Datura, planta que dá nome a esse livro no Brasil, Castaneda escreveu:

A erva-do-diabo tem quatro cabeças: a raiz, a haste e as folhas, as flores, e as sementes. Cada qual é diferente, e quem a tornar sua aliada tem de aprender a respeito delas nessa ordem. A cabeça mais importante está nas raízes. O poder da erva-do-diabo é conquistado por meio de suas raízes. A haste e as folhas são a cabeça que cura as moléstias; usada direito, essa cabeça é uma dádiva para a humanidade. A terceira cabeça fica nas flores e é usada para tornar as pessoas malucas ou para fazê-las obedientes, ou para matá-Ias. O homem que tem a erva por aliada nunca absorve as flores, nem mesmo a haste e as folhas, a não ser no caso de ele mesmo estar doente; mas as raízes e as sementes são sempre absorvidas; especialmente as sementes, que são a quarta cabeça da erva-do-diabo e a mais poderosa das quatro. “Meu benfeitor dizia que as sementes são a “cabeça sóbria’: …a única parte que poderia fortalecer o coração do homem. A erva-do-diabo é dura com seus protegidos, dizia ele, porque pretende matá-Ios depressa, coisa que geralmente consegue antes de eles descobrirem os segredos da “cabeça sóbria”. [2]
A ingestão das Plantas de Poder não era para Don Juan, um método eficiente para a evolução dos seus aprendizes. Foi somente a primeira tentativa de uma série de muitas outras diferentes que utilizou, para que Castaneda assimilasse, ao longo de anos, o nexo da complexa e rica cultura milenar dos “Videntes”. Nas fases seguintes do aprendizado, as Plantas de Poder deixaram de ser utilizadas em favor de intensas práticas realizadas diretamente na vida cotidiana.

 

É incrível a quantidade de Substâncias que provocam efeitos que podem ser confundidos com o Divino, ou simplesmente o contato com uma entidade única que comporta todo o Cosmus em sua infinita dimensão. Sequer falamos em LSD, Daime e outras em uma próxima oportunidade. As substâncias podem ajudar a mente a abrir as portas da percepção, mas acredito que apenas observamos algo que já estava lá. Nunca podemos voltar a ser os mesmos após cruzar certas portas.

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