A chuva de meteoros Líridas 2018
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A chuva de meteoros Líridas 2018

[Galeria do Meteorito]

Não é novidade – todos os anos, entre os dias 16 e 25 de abril, acontece a famosa chuva de meteoros Liridas (ou Lirídeas), mas é nos dias 21 e 22 de abril que ocorre seu pico, ou seja, o momento em que a maior quantidade de meteoros pode ser observada!

A chuva de meteoros Líridas acontece quando a Terra passa pela esteira de detritos deixada pelo cometa Thatcher C/1861 G1. Sempre, nessa mesma época do ano, a Terra passa justamente por esse rastro de fragmentos desse antigo cometa, atraindo os detritos que penetram em nossa atmosfera, criando as belíssimas “estrelas cadentes“, como são popularmente conhecidos os meteoros.

Como observar a chuva de meteoros Líridas 2018?

Para observar essa ou qualquer outra chuva de meteoros, a regra é a mesma: buscar uma região onde encontramos o mínimo de poluição luminosa possível, ou seja, longe de cidades grandes ou luzes artificias que atrapalham nossa observação.

O radiante da chuva de meteoros Líridas (região do céu onde os meteoros parecem se originar) encontra-se bem ao lado da constelação de Lira, o que justifica o nome da chuva. Pouco antes do amanhecer, por volta das 04h00 da madrugada, olhe para a direção norte do céu, e encontre a estrela Vega (como mostra a imagem abaixo):

radiante da chuva de meteoros Liridas 2018
Radiante da chuva de meteoros Líridas. Ela estará para os lados do norte por volta das 04h00 de seu horário local.
Créditos: STELLARIUM         /         Edição: Galeria do Meteorito

Mas vale lembrar: você não precisa encontrar exatamente o radiante da chuva para conseguir observar seus meteoros, pois eles irão riscar o céu a partir do radiante, mas serão vistos em outras partes do firmamento. Olhar para a direção certa é o mais importante.

Quanto mais ao norte do Brasil você estiver, melhor será sua observação da chuva Líridas. Em São Paulo, ou no Rio de Janeiro, por exemplo, seu radiante se encontra muito próximo do horizonte, o que dificulta um pouco sua observação.

Se você se encontra em outro país do hemisfério sul, vale a mesma regra: quanto mais próximo do equador, melhor será sua observação. Para quem encontra-se no hemisfério norte, as condições são mais favoráveis no caso dessa chuva.

Como os meteoros riscam uma grande extensão do céu em questão de instantes, nenhum equipamento é necessário. Telescópios ou binóculos irão apenas atrapalhar a observação dos meteoros. O melhor é visto a olho nu!

Quantos meteoros a chuva Liridas costuma produzir?

O pico da chuva de meteoros Líridas costuma gerar cerca de 15 meteoros por hora, sendo que esse número pode chegar a 100 meteoros por hora em alguns anos.

Se você estiver observando essa (ou qualquer outra chuva de meteoros) em uma cidade grande, onde temos uma fartura de poluição luminosa produzida por postes de luz, etc… as condições de observação serão muito ruins, e apenas meteoros muito brilhantes (como os bólidos/bolas de fogo) é que poderão ser vistos.

Mas temos uma notícia muito boa: a Lua estará na fase nova apenas alguns dias antes do pico da chuva Liridas 2018. Com isso, os céus estarão mais escuros, e a nossa vista não será ofuscada (ao menos com o brilho lunar). Isso irá aumentar a quantidade de meteoros que poderão ser observados!

Chuva de meteoros Liridas registrada pela NASA - Créditos NASA - MSFC - D
Chuva de meteoros Liridas registrada pela NASA.
Créditos: NASA / MSFC

Curiosidade sobre a chuva de meteoros Liridas

Você sabia que na verdade, ela deveria se chamar “Herculidas”, e não “Líridas”? Sim, isso é verdade, pois seu radiante fica na constelação de Hércules. Essa chuva foi nomeada e identificada no século 19, quando a UAI (União Astronômica Internacional) ainda não havia adotado “oficialmente” a configuração das constelações atuais, que ocorreu somente em 1922.

Transmissão ao vivo – Líridas 2018

É claro que teremos transmissões ao vivo! Como de costume, traremos imagens em tempo real feitas a partir de locais estratégicos, feitas com câmeras ultra-sensíveis onde o céu é escuro e ideal para observação de meteoros, graças ao nosso parceiro Observatório Slooh. Além disso, contaremos também com nossa própria estação de monitoramento de meteoros. Com isso o show está garantido!

Saiba mais sobre a chuva de meteoros Líridas

Uma das razões que faz a chuva de meteoros Líridas ser uma das mais famosas é o fato dela nos surpreender de tempos em tempos, criando grandes “outbursts” – um grande aumento abrupto na quantidade de meteoros. Sempre existe a possibilidade de sua taxa nos surpreender, e a cada 60 anos aproximadamente, ela dá um verdadeiro show, como relatado na Grécia em 1922, no Japão em 1945 e nas Américas em 1982. Em 1803, a chuva de meteoros Liridas produziu cerca de 700 meteoros por hora, o que também aconteceu em 687 a.C.

Confúcio pode ter observado a chuva de meteoros Liridas - imagem feita pelo pintor Wu Daozi entre 685-758
Pintura de Confúcio, feita por Wu Daozi entre  685 e 758.
Créditos: Wikimedia Commons

A chuva de meteoro Líridas é uma das mais antigas chuva de meteoros relatadas em documentos antigos, sendo que alguns datam cerca de 2.700 anos atrás.

A China antiga já observava a chuva Líridas em 687 a.C., e a descrevia como algo que “caía como chuva”. A data desses documentos antigos coincidem com o Período das Primaveras e Outonos, entre 771 e 476 a.C, que é associado ao renomado pensador chinês Confúcio, conhecido popularmente pelo seu ditado: “Não faças aos outros o que não queres que façam a ti”. Será que o grande professor e filósofo Confúcio observou a histórica chuva de meteoros Líridas? Considerando os céus limpos daquela época, é provável que não apenas Confúcio como toda sociedade antiga tenha a observado…

Ninguém conhece bem o cometa Thatcher…

O cometa Thatcher (C/1861 G1) é o responsável pela criação da esteira de detritos que resultou na anual chuva de meteoros Liridas, que ocorre sempre na mesma época do ano.

Mas por conta de sua órbita de 415 anos (período que o cometa Thatcher leva para completar uma volta ao redor do Sol), não temos nenhuma fotografia desse incrível cometa.

A última vez que Thatcher passou pelo Sistema Solar interior foi em 1861, e naquela época, os equipamentos fotográficos ainda não haviam sido espalhados pelo mundo, e mesmo que já fossem comuns e usuais pela maioria das pessoas, a tecnologia da época era bastante precária se comparada com a atual – seria quase impossível fotografar o céu noturno com uma qualidade satisfatória.

Mas ainda existe esperança! A próxima vez que o cometa Thatcher passar por aqui, nós iremos fotografá-lo incansavelmente. A parte chata da história é que a nossa geração não estará mais aqui na Terra, afinal, o cometa Thatcher só passará por aqui novamente em 2276.

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